Foi o Vento que Soprou
Tarde.
O teto era vertiginoso ao acordar a procura de um foco que lhe dê consciência, após aquela noite de ressaca. Na verdade ela não sabia se tinha sido uma noite, ou se as noites se sucediam como se mutiplicassem, apenas fritava na cama sem reação.Tudo estava tão recente e conturbado na cabeça dela.
Aos poucos levantou mais por um gesto de espontaneidade do que tivesse feito um enorme esforço para ir se vestindo de um novo dia. A visão ainda estava nauseante. Logo encontrou a cozinha e bebeu água como se nunca tivesse bebido antes. Ela estava viva, inconscientemente viva.
Ela não sabia, nem sentia nada. Mas sem a menor possibilidade de hesitar saiu de casa sem muita cerimônia, sem muito destino. Foi andando mecanicamente pelo mesmo caminho pisado, rumo ao mesmo lugar batido. Sentou-se. Trazia com ela um velho caderno de rascunhos de vidas amargas. Começou a escrever aparentemente algo importante, algo que não se pode esquecer. Mas ela não sentia, nem sabia nada. Apenas lembrava... pairavam fragmentos de lembranças despedaças pelo tempo e pela bagunça de sua vida. Fazia tempo - ela pensava. E ia crencendo nela uma vontade de sentir algo, estava se esforçando muito, queria um pouco de remorço, um pouco de culpa, um pouco de dor pelo menos. Era uma luta em silêncio, era uma com o silêncio de todos estes anos. Queria sentir revolta por tudo que acontecia na sua vida. De repente veio minimalmente uma voluptuosa vontade de pegar o telefone e ligar para alguém. Arrancou a folha que escrevia, a jogou fora sem prestar atenção, fechou o caderno e pôs no bando em que estava sentada, posicionou-o ao seu lado. Pegou o celular do bolso, vacilou hesitante por uns instantes... ligou! O telefone chamava pela noite anterior, chamava o mesmo número da madrugada ainda nebulosa em sua mente. Atendeu - verificou inerte ela. - Oi. Disse a voz de veludo carinhosamente do outro lado, já sabendo que era ela. Ela sentiu supresa! e o sentimento voltava ao seu corpo, sentiu mais ainda! Ficou nervosa. - Preciso falar com você. Disse ela. Ele repondeu docemente, assim com suscinto: - Certo.
Ela ficou ansiosa, estava confusa, não lembrava muito bem de nada, já não sabia o que era sentir direito. Mas ele veio logo, parecia não estar preocupado, alias parecia que tudo estava normal e tranquilo para ele.
Veio sorrindo, e lhe deu um abraço. Ela se revestia de uma desconhecida tranquilidade ao sentir seu corpo. Por um momento voltou a esquecer da vontade de lhe dizer algo, mas após o abraço ele se sentou estranhamnte distante. Bateu o nervosismo nela de novo. lembrou do que queria dizer, e disse: - Queria me desculpar... Ele a interrompe: - Se desculpar por que? ela se fez vacilante novamente: - errr... por ontem. falou timidamente, ele sem entender voltou a perguntar: Por ontem o que?
Ela ficou em silêncio, não sabia o porquê, mas sentia agora fortemente uma estranheza no ar, uma vontade de dizer algo, não lembrava, era isso não lembrava!! então disse: - Desculpe qualquer coisa! Disse em tom de exclamação. e se levantou pondo a mão na cabeça. Ele ainda estranhando mas extremamente sóbrio disse: - Meu bem, acho que você está assim porque bebeu demais ontem. Não aconteceu nada, você só se excedeu um pouco na bebida. Ela não se acalmou: - Eu sinto, eu sinto que tenho que lhe dizer algo! Ele a interrompeu de novo: - Fique calma, vamos andar, assim ficará calma. Então ele a abraçou e a fez andar com ele. Ela sentiu um alivio com seu abraço, e uma nova traquilidade. E em um susto, lembrou: - Eita já ia esquecendo! Meu caderno no banco! ela recuou e pegou o caderno banco. Voltou a abraça-lo e foi anestesiadamente com a sensação da lembrança. deixou p'ra trás a noite passada, naquele instante esquecerá da angústia de sua vida amarga. Esquecerá do aperto do peito ao ouvir sua voz carinho ao telefone. Esquecerá da folha que jogou para trás.
A folha.
A folha ainda perto do banco que eles sentaram era arrastada lentamente em direção do mar que eles deram as costas enquanto se sentiam. Foi então que a folha parou na areia já molhada prestes a ser atingida pela onda, antes disto passou um casal perto da folha olhando para ela conseguiram ler a ultima frase escrita no papel, antes dela ser carregada pelo mar: - Eu te amo... eles se olharam e se beijaram, e continuaram o seu caminho ainda mais amorosamente.
Lee Flôres
O teto era vertiginoso ao acordar a procura de um foco que lhe dê consciência, após aquela noite de ressaca. Na verdade ela não sabia se tinha sido uma noite, ou se as noites se sucediam como se mutiplicassem, apenas fritava na cama sem reação.Tudo estava tão recente e conturbado na cabeça dela.
Aos poucos levantou mais por um gesto de espontaneidade do que tivesse feito um enorme esforço para ir se vestindo de um novo dia. A visão ainda estava nauseante. Logo encontrou a cozinha e bebeu água como se nunca tivesse bebido antes. Ela estava viva, inconscientemente viva.
Ela não sabia, nem sentia nada. Mas sem a menor possibilidade de hesitar saiu de casa sem muita cerimônia, sem muito destino. Foi andando mecanicamente pelo mesmo caminho pisado, rumo ao mesmo lugar batido. Sentou-se. Trazia com ela um velho caderno de rascunhos de vidas amargas. Começou a escrever aparentemente algo importante, algo que não se pode esquecer. Mas ela não sentia, nem sabia nada. Apenas lembrava... pairavam fragmentos de lembranças despedaças pelo tempo e pela bagunça de sua vida. Fazia tempo - ela pensava. E ia crencendo nela uma vontade de sentir algo, estava se esforçando muito, queria um pouco de remorço, um pouco de culpa, um pouco de dor pelo menos. Era uma luta em silêncio, era uma com o silêncio de todos estes anos. Queria sentir revolta por tudo que acontecia na sua vida. De repente veio minimalmente uma voluptuosa vontade de pegar o telefone e ligar para alguém. Arrancou a folha que escrevia, a jogou fora sem prestar atenção, fechou o caderno e pôs no bando em que estava sentada, posicionou-o ao seu lado. Pegou o celular do bolso, vacilou hesitante por uns instantes... ligou! O telefone chamava pela noite anterior, chamava o mesmo número da madrugada ainda nebulosa em sua mente. Atendeu - verificou inerte ela. - Oi. Disse a voz de veludo carinhosamente do outro lado, já sabendo que era ela. Ela sentiu supresa! e o sentimento voltava ao seu corpo, sentiu mais ainda! Ficou nervosa. - Preciso falar com você. Disse ela. Ele repondeu docemente, assim com suscinto: - Certo.
Ela ficou ansiosa, estava confusa, não lembrava muito bem de nada, já não sabia o que era sentir direito. Mas ele veio logo, parecia não estar preocupado, alias parecia que tudo estava normal e tranquilo para ele.
Veio sorrindo, e lhe deu um abraço. Ela se revestia de uma desconhecida tranquilidade ao sentir seu corpo. Por um momento voltou a esquecer da vontade de lhe dizer algo, mas após o abraço ele se sentou estranhamnte distante. Bateu o nervosismo nela de novo. lembrou do que queria dizer, e disse: - Queria me desculpar... Ele a interrompe: - Se desculpar por que? ela se fez vacilante novamente: - errr... por ontem. falou timidamente, ele sem entender voltou a perguntar: Por ontem o que?
Ela ficou em silêncio, não sabia o porquê, mas sentia agora fortemente uma estranheza no ar, uma vontade de dizer algo, não lembrava, era isso não lembrava!! então disse: - Desculpe qualquer coisa! Disse em tom de exclamação. e se levantou pondo a mão na cabeça. Ele ainda estranhando mas extremamente sóbrio disse: - Meu bem, acho que você está assim porque bebeu demais ontem. Não aconteceu nada, você só se excedeu um pouco na bebida. Ela não se acalmou: - Eu sinto, eu sinto que tenho que lhe dizer algo! Ele a interrompeu de novo: - Fique calma, vamos andar, assim ficará calma. Então ele a abraçou e a fez andar com ele. Ela sentiu um alivio com seu abraço, e uma nova traquilidade. E em um susto, lembrou: - Eita já ia esquecendo! Meu caderno no banco! ela recuou e pegou o caderno banco. Voltou a abraça-lo e foi anestesiadamente com a sensação da lembrança. deixou p'ra trás a noite passada, naquele instante esquecerá da angústia de sua vida amarga. Esquecerá do aperto do peito ao ouvir sua voz carinho ao telefone. Esquecerá da folha que jogou para trás.
A folha.
A folha ainda perto do banco que eles sentaram era arrastada lentamente em direção do mar que eles deram as costas enquanto se sentiam. Foi então que a folha parou na areia já molhada prestes a ser atingida pela onda, antes disto passou um casal perto da folha olhando para ela conseguiram ler a ultima frase escrita no papel, antes dela ser carregada pelo mar: - Eu te amo... eles se olharam e se beijaram, e continuaram o seu caminho ainda mais amorosamente.
Lee Flôres

